What's up?
É este o título do nosso jornal online dedicado a notícias relativas às áreas temáticas das várias disciplinas que os alunos frequentam. O jornal é elaborado por alunos para alunos. Os membros da comunidade escolar do Agrupamento de Escolas de Almeida que quiserem contribuir para o jornal com rubricas regulares podem enviar um e-mail para whats.up.onlinenews@gmail.com
Mostrar mensagens com a etiqueta No-Mad. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta No-Mad. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 31 de maio de 2012
No-Mad - Post 14: Pela tua mão... / Dubai
quinta-feira, maio 31, 2012
What's up?
Pela tua mão
encontro algo único. Estou cego, mas a tua mão gentil guia-me. Ouço
vozes e sei que estou num sala. Sinto as rugas da tua mão. Está marcada
pela experiência de uma humanidade. Sei que posso confiar. Decido
deixar-me ir e descobrir o que me queres mostrar. Sento-me e a palavra
“chay” já me é familiar. Sinto o montar de algo à minha frente. O som
metálico a bater na madeira prova-me que estão a colocar uma mesa. Tu
guias-me até lá. Obrigas-me a abrir a minha mão e descubro o que
pretendes: oferecer um tecido.
Ao primeiro
toque, noto o aveludado de uma simpatia persa. Aquele conforto que
encontrei no café tomado na companhia de um contador de histórias. Ali,
no meio do nada, apenas os carros quebravam a nossa conversa. Nesse
momento, não existia um turista e um guia. Eramos dois seres humanos a
partilhar uma boa conversa e um café que aconchegava a alma e expulsava o
frio do corpo.
Prossigo
para ver que outros pedaços de tecido me ofereces. Este é mais àspero,
quase agressivo. Sinto que não quer que lhe toque. A minha mão está a
mais. Como eu na manifestação que celebrava o aniversário da polícia que
controla a moral. Era na bela praça Khomeini em Isfahan. A mesma que
uns dias antes me tinha acolhida tão bem. Agora o véu negro, como o
preconceito, cobria as mulheres e os camuflados fardavam os
homens-meninos. Era uma festa que não partilhava e expulsei-me dessa
praça.
Levas-me
para o próximo pedaço de tecido. E agora é tão diferente. Tornou-se
leve. Deixa passar o ar fresco e confortante de uma conversa à beira
rio. Livre de preconceitos ou morais. Um momento intemporal e sem
geografia. A não ser a dos nossos sonhos e emoções. Por aí senti uma vez
mais a hospitalidade das pessoas que vivem cá. Algo que me tocou com
toda a profundidade. Que humildemente agradeço com a certeza de não
conseguir retribuir tão generoso presente.
Já não
preciso que me guies. Prossigo sozinho, com vontade de descobrir o que
mais existe. Sinto que ao passar a minha mão por este novo pedaço, o
tecido emite um som especial. Tão especial como ouvir o chamamento para
uma oração dentro da Mesquita Iman. Passeio-me sozinho pelos seus amplos
claustros e o som torna-se transcendental. A melodia daquelas palavras
não chega aos meus ouvidos mas à minha alma. É poesia encarnada no som.
Sinto-me elevar para um outro estado, para uma outra consciência.
Passeio-me com a melodia na minha cabeça e apenas desperto para o som da
flauta que toca no salão musical do palácio Ali Qapu e me embala para
outro momento de contemplação.
Penso que
mais belo tecido não poderá existir e eis que a minha mão toca um último
pedaço. Não tenho palavras para o descrever. É do mais puro que pude
sentir. Mexeu comigo. Mudou-me. Tremo a pensar nele. Seria um crime,
neste estágio, tentar fazê-lo...
Recupero por
fim a minha visão. Vejo o que a minha mão sentiu. Um tecido completo de
momentos, bordados na perfeição num país a que chamamos Irão.
Dubai apareceu na viagem como
curiosidade zoolófica. Um oportunismo de uma viagem entre o Irão e a
India. Queria conhecer esta polis criada no meio do deserto.
Logo no aeroporto tive a noção de
que estava num mundo muito diferente daquele donde vinha. O cenário
amplo e polido do hall do aeroporto transmitia-me a sensação de estar
num hotel de cinco estrelas. Por momentos até poderia imaginar que
estava numa qualquer cidade europeia. À minha volta não existia um véu e
tudo parecia organizado. Claro que o check point da alfândega, com o
seu aviso a determinadas regras de conduta, fez-me voltar à realidade.
Como tinha pouco tempo, acabei
por escolher fazer uma das atracções da cidade. Neste caso o Burj
Al-Khalifa, maior prédio do mundo. Já que fosse para fazer algo, que
fosse algo apenas possível no Dubai. E tomo consciência que este deve
ser o pensamento dominante. A sensação é de que as pessoas quiseram
criar um sitio único, uma experiência unica. O que conta é ser o mais ou
o maior. Coisas que o dinheiro possibilita.
Depois de
sair do funcional metro do dubai, tenho a minha primeira visão sobre
este lança apontada ao céu. Impressiona, como impressiona a quantidade
de prédios ainda a serem construidos. Ao lado das residências encontro
monstros de betão e vidro. Passo pelo Armani hotel – luxo, luxo, luxo - e
sigo a asseada rua que me leva ao Dubai Mall – o maior do mundo – porta
de entrada para a escalada.
Lá dentro, a
modernidade saúda-me. Esqueço a minha faceta de simples viajante e
vagueio-me como turista. Afinal, aqui é o que sou. E com o bilhete na
mão lá vou sorridente para o elevador. É a primeira vez que subo a um
arranha-céus. Tenho curiosidade de descobrir qual a sensação. Um homem
vestido de árabe mostra-me o caminho. Partilho o elevador com outros
turistas, e quando a subida começa, sinto que não é um elevador
qualquer. Quer a pressão nos ouvidos, quer a contagem vertiginosa dos
andares, dizem-me que este consegue atingir uma grande velocidade.
Chegado ao topo, tenho uma ampla visão dos emirados. Um cidade plantada
entre o deserto e o mar.
Não consigo
deixar de ter a sensação de uma cidade artificial. Algo construído para
satisfazer o ego de quem a criou. E apesar de todo o luxo, toda a
modernidade e toda a perfeição sinto que esta cidade não pertence aqui.
Quase que parece o recreio de seres humanos cheios de dinheiro. Desço
uma vez mais pelo elevador. Sigo direto para a rua. Já vi o que tinha a
ver. O momento é para estar um pouco a observar todo o luxo antes de
regressar ao corre-corre da viagem. Não dou o meu tempo por perdido.
Julgo que é necessário ver isto. Ver todo o luxo o que o dinheiro pode
comprar. Acho que só assim se pode compreender melhor a natureza humana.
Mesmo antes
de partir, um bom momento. No aeroporto um árabe despedia-se da
liberdade do Dubai o melhor que podia. Celebrava efusivamente os ultimos
momentos enquanto trocavamos umas palavras. Descubro que a vontade de
liberdade é cada vez mais comum por estes lados...
segunda-feira, 14 de maio de 2012
No-Mad - Post 13: Le Moi Errant - O Início / Por debaixo do Véu
segunda-feira, maio 14, 2012
What's up?
Sunday, December 4, 2011
Le Moi Errant: O início
Finalizo
o meu primeiro mês de viagens com uma nova rúbrica. Desde já agradeço à
Suzanne e à Ana Salvador por me guiarem a este título. Procuro por
aqui descrever a viagem interior que esta aventura também representa.
Viajar tem tanto de olhar para fora como passear por dentro. Espero que
gostem da mesma.
O início não
poderia ser mais intenso. Foram muitas emoções, epísódios e momentos
que me preencheram. É, mais que tudo, a fase de acomodar e de nos
confrontarmos com uma nova realidade. Nesse sentido foi muito diferente
do que esperava. Quer queiramos, quer não, criamos expetativas,
idealizamos situações. A realidade é sempre diferente. E sei que por
mais que tente passar para palavras o que vou vivendo, tal só poderá ser
sentido quando viajado. Nesse sentido foi talvez a minha primeira
surpresa, a diferença entre o ideal e o real.
Num primeiro
momento tentamos concretizar o que sonhamos, ver o que pretendiamos
ver, mas, no meu caso, tive de abandonar esse sentimento. O realidade é o
que é, e mais que realizar o que sonhei, quero viver o presente. Foi
difícil trocar a ânsia de ver pela calma de estar. Sei que estou a
perder muito. Que muitos locais acabo por não ver. Mas também sei que
tenho uma vida inteira para o fazer. Mais do que tickar uma lista de
to-do's, pretendo encontrar a minha viagem.
É
desconfortável a sensação de teres um mundo apetecível tão perto de ti e
optares por não ires a todo lado. Mas viajar é também ir à procura do
desconforto. Talvez seja isso que obriga um viajante a mudar por dentro.
Luta-se contra o nosso instinto natural de protecção. E quando estamos
num sitio confortável, já vamos para o desconhecido uma vez mais. Mas
esta mudança, este desconforto, obriga o teu espírito a estar
completamente aberto. Olhas com mais cuidado à tua volta. Sentes dentro
de ti uma insegurança que acabas por controlar. Onde queres chegar é
mais importante que esses sentimentos.
Sei que um
mês é pouco para dizer que mudei, mas a realidade é que aconteceu. Hoje
recordo-me já com um olhar algo distante. Ainda é uma mudança difusa e
sublime. Algo não concretízavel, mas à mesma é uma mudança...
Por debaixo do véu
Faz 32 anos que o
Irão foi coberto pelo véu islâmico. Desde então tornou-se mais distante.
Hoje pouco sabemos da realidade deste povo milenar. É nos alimentado
uma imagem de religiosidade radical, um estado ditatorial e de um povo
extremista. Um local fechado e desconfiado dos ocidentais. Não era essa a
imagem que me tinham oferecido por quem já o visitou. Supremo curioso
como sou, tive de descobrir o que se escondia por baixo do véu da minha
ignorância.
Tehran
É
barulhenta, escura e poluída. O rugido das suas motas dominam as ruas.
Andam por todo o lado – inclusive pelos passeios – e atravessar uma
passadeira é uma aventura imprópria para cardíacos. Mas esta cidade tem
uma vibração que no mínimo não te deixa indiferente. Capital política,
sente-se essa carga por aqui. Talvez num nível inconsciente. O melhor
exemplo são os véus. Encontras um para cada personalidade. Apesar da
obrigatoriedade, esta é desafiada por um véu que cobre apenas o fim do
cabelo. Ou então é confirmado pelo tradicional véu, no qual nem uma
ponta de cabelo vês. Uma dualidade muito presente por aqui.
Tive a sorte
de conhecer um pouco mais da sua vida. Presente oferecido pela enorme
simpatia de Mahdi. Compreendi que o “pitoresco” – trânsito – torna-se um
inferno para quem vive cá. Pude ser um “revolucionário” e escrevi num
dos inúmeros sites que este regime censura – o facebook. E terminei uma
noite com um petisco (beterraba em calda doce) que se vê à venda um
pouco por toda a cidade. Descubri também que a Europa é uma verdadeira
fortaleza. Mesmo que seja apenas em turismo, tornou-se uma tarefa quase
impossível arranjar visto se nasceste na coordenada errada deste
planeta.
Em termos
visuais não é uma cidade que enche os olhos. Entre o degradado e o
composto, encontramos de tudo. Um “tudo” que vem embrulhado numa névoa
de poluição e uniformiza a cidade. Um tom castanho acizentado apenas
cortado pelos algo-coloridos placares das lojas. Só que esta cidade
“esconde” algo muito especial. Apanha o metro e sai a norte. Tenho a
certeza que ficarás com a boca aberta. A vista das montanhas Alborz é
algo único. Talvez o melhor postal que Tehran pode oferecer. São
autênticos gigantes de rocha e neve que vigiam esta cidade.
Mas Tehran
tem mais para oferecer. A Praça Khomeini é o centro do movimento caótico
e lojas de rua. Da mesma saiem importantes avenidas (como a Ferdosi,
com as suas casas de câmbio e montras cheias de dólares). No meio, um
placard do Iman deixa-me surpreendido com a semelhança entre ele e o
Sean Connery. Devem confirmar isso com os vossos olhos. Muito especial
para mim, foi ver o graffitti da estátua da liberdade com o rosto de uma
caveira. Imagem icónica do anti-americanismo. Uma sensação estranha
podê-la ver ao vivo, quase de tom agri-doce. Os mini-aquedutos que
separam as estradas dos passeios são outro dos pequenos pormenores que
nos é oferecido. Antigos canais que transportavam a água potável, são
hoje locais por onde as chuvas pluviais correm. Com mais de 30
centimetros, rapidamente te habituas a ter cuidado com os mesmos. Se não
te chamarem à atenção num primeiro momento, estou certo que ao primeiro
susto de queda nunca mais te esquecerás.
Tehran é uma
óptima introdução a este país. O sítio perfeito para começar a levantar
o véu que o encobre. Para terminar, nada melhor que fumar shisha com
amigos. O local com aspecto semi-clandestino, fez-me temer o que
existiria por detrás da porta. Lá dentro um espaço pouco iluminado,
preenchido por sofás cobertos de tapeçaria persa e umas horas de
conversa.
Shiraz
“Desconfio que você queira ir para Persepolis...” diz-me um homem de tez morena e ar jovial. “será um adivinho?!”
penso num primeiro instante. No dia anterior tinha deixado um periquito
ditar o que Hafez tinha previsto para o meu destino. Ele é um dos
poetas mais celebrados pelo Irão. Toda a casa deve ter uma cópia de
Corão e de Hafez. E, tal como o Lonely Planet refere, desconfio que será
mais fácil encontrar uma cópia da obra de Hafez. Existe o hábito de
pedir um desejo, abrir o seu livro ao acaso e ver o que Hafez nos diz. À
porta da sua campa, algumas pessoas têm um conjunto de versos, e, por uma
pequena quantia, ficamos a saber o nosso destino – “fal” em persa. A
campa em si é um local obrigatório para se visitar em Shiraz.
Constrastando com o aspecto cru da cidade, a campa é um belo e calmo
jardim.
“Você deve ser o motorista...” respondo-lhe. “Morteza”
apresenta-se, entregando um cartão e um sorriso contagiante. Não
poderia estar mais contente com quem me iria levar a Persepolis. Morteza
é a personificação da simpatia persa. Gentil, educado e muito jovial.
Pelo caminho – uma estrada que corta as montanhas e que por si só enchem
os olhos – conta-me como é amigo de um outro Português, também João,
mas neste caso, Pedro. Descreve as peripécias desse João e como ele
ficou raptado pelo período “dos melhores 22 dias da sua vida” entre o
Paquistão e o Irão.
Conta-me
um pouco da sua história de 62 anos. De como era trabalhador da
petroquímica no tempo do Xá. E de como, depois da revolução, se despediu
por não conseguir trabalhar com os Mullahs. Vejo como esta revolução
teve impacto na sua vida, e como nem sempre a “revolução” tem o melhor
desfecho. Guia-me de volta à sua juventude e de como os aldeões
conduziam os primeiros carros. Quando me explica que eles pensavam que o
espelho retrovisor servia apenas para ajeitar o cabelo, não posso
deixar de largar uma gargalhada sentida. É um verdadeiro contador de
histórias, e pelas suas palavras viajo um pouco pelo país que já não
existe. Ao chegar ao meu destino, ainda me acompanha até comprar o meu
bilhete para Persepolis.
E
este local, apesar de meio despido, é uma lembrança que esta é uma
terra de grandes impérios. Da campa de Artaxerxes, percebe-se a escolha
do local. Uma planície ampla é o cenário perfeito para o palácio de um
grande império. Vagueio um pouco por aqui e por outros tempos. Imagino o
que as comissões estrangeiras devem ter sentido ao entrar pela
escadaria monumental à sua entrada. Do cimo, trompetas ecoariam, e
demonstrariam, pelo som, a força deste império.
Após
esta visita ao passado, vou para outra máquina do tempo: Naqsh-e
Rostam. São os tumúlos gigantescos de Darius I, II, Xerxes I e
Artaxerxes I. Apenas conseguimos ter a noção da sua dimensão quando
observamos outro ser humano – sempre de aspecto minúsculo – a olhar
espantado para o mesmo. Das várias inscrições uma parece um aviso ao
limite que a Europa teve. Num baixo-relevo o rei persa segura pela mão o
imperador romano, enquanto outro se ajoelha. Aqui foi Roma que prestou
vassalagem a outro grande império.
Volto
à companhia do simpático Morteza, enquanto regresso a Shiraz. Dá-me
várias indicações sobre os belos locais que este país tem para oferecer.
Explico-lhe que já vi o lindíssimo masoleu Aramgah-e Shah-e Cherag, ou
que me perdi pelas misteriosas e infintas ruelas dos bazares desta
cidade. Aí é impossível não deixarmos a imaginação nos guiar, enquanto
passeamos à deriva. A tapeçaria é dominante, cortada pelas especiarias,
perfumes e chás. Refiro-lhe que me falta apenas experimentar uma
especialidade local – Faloodeh Shirazi, um gelado. Prontifica-se a me
levar ao local que me tinham indicado. Uma gelataria por detrás do forte
que domina o centro da cidade. Este forte, austero por fora, mas
delisioso por dentro, marca o fim da Avenida Zand - estrada que corta
toda a cidade. Despeço-me com um obrigado muito sentido e a certeza de
que não poderia ter encontrado melhor pessoa para me transmitir o que
esta cidade tem para oferecer.
Isfahan
O
meu espírito retorcido tem destas coisas. O normal é começar o périplo
iraniano com Isfahan (isto se não se quiser ficar em Tehran). Eu tinha
de fazer ao contrário e terminar nesta cidade. E em bom momento o fiz.
Isfahan é a pérola da Pérsia. Uma cidade com muita vegetação e um rio
que a separa em duas partes (pormenor que salta à vista depois de passar
tanto tempo sem ver água). A cruzar esse rio estão inúmeras pontes.
Umas mais modernas, outras com um rico historial. As mais antigas – e as
que gostei mais – são a Si-o-Seh e a Khaju. Ambas construídas no tijolo
amarelado típico desta região. São pontes entre o norte o sul, entre a
realidade e a imaginação. Belos sítios para ficar e contemplar a beleza
do rio Zayandeh e das suas margens. É uma cidade que se passeia por
aqui. Entre uma estrada de árvores, flores e arbustos encontramos
algumas estátuas, recreios e máquinas de exercício. É algo imperdível.
Mas
este corredor de arvóres continua pela avenida principal – Chahar Bagh
Abbasi. Nos seus lados, o corre-corre normal das cidades iranianas.
Trânsito, muitas lojas e cores e muito movimento. No seu meio, uma
tranquilidade contrastante. Daqui chega-se à Praça Iman. Uma ampla e
geométrica praça. Contém o que de melhor a Pérsia tem para oferecer: o
bazaar a norte, a mesquita Iman a sul, a leste a mesquita Sheikh
Lotfollah e a oeste o Palácio Ali Qapu. A sua beleza não está apenas nos
seus monumentos, mas na forma como a sua decoração subtil, apenas
rasgada pela lúxuria dos referidos, nos deixa num estado de
tranquilidade. Por detrás desta praça está uma cidade que vive. Um
cidade que corre e se movimenta. Aqui parece ter um ritmo mais calmo e
ligeiro.
Um
bom sitio para sair é pelo Bazaar. Local sempre propício à imaginação e
à satisfação da nossa vontade de observar. Cada detalhe deixam-nos uma
recordação que mais tarde nos irá fazer sorrir. E, mesmo perdido no meio
das suas ruas fechadas, acabaremos por ir parar à parte mais antiga da
cidade. Aqui o cenário é bem diferente da beira-rio. O amarelo desértico
é dominante. Esta zona é constituída por inúmeras ruas estreitas em que
nos apetece ficar perdidos. No entanto - e sob pena de perdermos
demasiado tempo a chegar a algum lado - vale a pena não o fazermos com
muita “intensidade”. Aqui existe outro momento “wow”. Trata-se da
Mesquita Jameh. Uma verdadeira homenagem à evolução da arquitetura
islamica. Por fora passa completamente despercebida. Mas uma vez lá
dentro, o tempo é para contemplar todo o seu espaço.
Para
completar a cidade nada melhor que ir ao quarteirão arménio. O caminho
para lá leva-nos à extensa avenida Tohid. E por estes lados, o moderno
convive com o clássico, as ruas amplas com os becos estreitos.
Caminha-se e encontra-se as lojas que nos habituamos a ver noutros
contextos (Apple, Adolfo Dominguez, Nike, Puma, Geox, etc...). Aqui têm
um sabor diferente. É mais um sitio para onde deixarmos ir até onde os
nossos pés aguentarem. Encontraremos numa loja, num sinal, numa flor, na
cor de um prédio, ou no simples movimento natural da cidade, interesse
suficiente para ficar.
Claro que
tudo isto é embrulhado pela simpatia dos seus habitantes. E em qualquer
oportunidade falarão contigo, ajudar-te-ão ou tentarão te compreender -
mesmo que o máximo de palavras comuns sejam uma dúzia. Uma simpatia que
guardarei sempre. Um enorme presente, talvez a maior pérola que podes
levar contigo.
E por debaixo do véu...
…está um
mundo que espera por ti. Cada cidade é unica. Guardo o movimento de
Tehran, a simpatia de Shiraz e a tranquilidade de Isfahan. Saio com a
sensação que irei voltar. Apenas levantei um pouco do véu. E nesse
pequeno espaço encontrei, acima de tudo, uma riqueza nas pessoas que
cruzaram o meu caminho...
segunda-feira, 7 de maio de 2012
No-Mad - Post 12: Momentos / Ben Türk
segunda-feira, maio 07, 2012
What's up?
Sunday, November 13, 2011
Momentos
São milhares de coincidências – e pequenas escolhas
– que fazem um momento. Neste caso, ir a pé até Ürgup (a 8 km de
distância de Göreme) e uma demorada subida, levaram-me a este local. Um
pequeno abrigo no cimo de um dos vales que rasga Cappadocia. Protegido
do vento e bafejado pelo sol, encontro finalmente o tempo para admirar
todo este mundo.
Sinto que a
mesma me toca e me molda. De alguma forma estou diferente, mais calmo e
centrado nos meus pensamentos. Não estranho que os cristãos otomanos
tenham vindo para aqui. Toda a imensidão desta paisagem nos obriga à
reflexão e nos torna humilde.
Existe uma dualidade nesta paisagem. Cá de cima temos uma visão de
montanhas vermelhas e suaves. Uma visão ampla apenas cortada pelos
riscos brancos. Nesses riscos existe a monumentalidade tão retratada em
fotografias. É um local exótico por se passear. Os trilhos levam-nos a
vales curtos rodeados do branco caracteristico, a locais perdidos e
túneis que parecem portais para um mundo de fantasia.
Aliás
todo este mundo se assemelha a um mundo de fantasia. É fácil imaginar
que, por entre os arbustos, irá sair um duende a qualquer momento. Ou
que o som do vento, é a nave de Luke Skywalker a chegar. Mas também é o
local perfeito para não pensar em nada. No meu caso, peguei no ipod e
deixei que o shuffle determinasse a música do momento. É clássica. De
repente as encostas tornam-se musicais. Como que esta provisse dos seus
vales. Talvez seja o ondular das colinas que combine com os acordes
desta música. Não sei. Nem me preocupo em encontrar o motivo. Deixo-me
embalar e aproveito mais um belo momento...
Monday, November 14, 2011
Ben Türk
Hoje é o último dia na Turquia. Na
realidade, amanhã ainda estarei por cá, mas será passado em viagem. De
Göreme para Ankara, e daí para Tehran. Sinto-me emocionado. Toda a
experiência foi overwhelming. Mais que tudo, levo comigo as pessoas que
conheci pelo caminho. Levo o companheirismo da Yuhsi, a simpatia do Zé, a
simpatia da Sophie, a ideia do Harry, a abertura do Alejandro, o
extraordinarismo de Volnei e da Pinar, a dica da Juliana, a conversa com
o Quang e a hospitalidade do Chris. Um excelente arranque de viagem.
Mas a Turquia terá sempre a imagem de
três pessoas: Eda, Naime e Özlem. Filhas desta lindíssima terra, foram a
chave para abrir as portas deste país. Não existem palavras com que
possa retribuir a simpatia, ajuda e hospitalidade que me entregaram. No
fundo sinto que representam o que de melhor este país tem para oferecer:
pessoas únicas, interessantes e envolvida num contexto histórico
fenomenal.
São as suas pessoas que fazem da
Turquia um grande país. Quer estejamos a passear pelas ruas estreitas de
Istanbul ou a admirar a belissima paisagem da Cappadocia, são elas que
transformam este local num sítio único.
Foram quinze dias espectaculares.
Istanbul é um sitio vibrante. Não te deixa indiferente. Um palco imenso
para a vida. Tanto no meio da confusão de um mercado, a passeares pela
emblemática ponte Galata ou a apreciares o dia-a-dia numa das avenidas
desta cidade encontras sempre uma multiplicidade de vidas. Diferentes
passados, culturas e histórias convivem em harmonia. E sentes essa
história não apenas nos monumentos ou estradas por onde andas mas, e
principalmente, nas pessoas. Nas suas tradições e hábitos. Na sua forma
de estar e interagir. É mais que tudo uma cidade real e que existe.
Cappadocia contrasta com esta agitação
harmoniosa. Aqui encontras uma calma por entre os seus imensos vales.
As pessoas em tudo são iguais. Ficas com a certeza que a hospitalidade é
do país e não apenas duma região. Gosto muito como toda esta zona tem
diversos ângulos. E se Istanbul é um mosaico cultural, este é um mosaico
paisagista. Ambos entregam-te emoções forte. Gostei de me perder (mas
não muito) por aqui, ou de encontrar aquele pequeno abrigo em que apenas
a vida selvagem entra. E gostei de caminhar. Talvez seja algo genético.
Estamos capacitados para andar, e, depois de uma vida sedentária, todo o
meu corpo pedia para andar. Seguir trilhos como que chegasse a um porto
de abrigo distante.
E eu apenas vi dois locais. Uma
pequena amostra do que tem para oferecer. Descobrir este país foi uma
dádiva. Sinto que o substimei muito. Procurei um local de transição e
encontrei um espaço autêntico e acolhedor. E depois de uma tão boa
recepção, sinto-me em casa. E de tanto me confundirem com um, hoje
sinto-me também um pouco turco...
Tesekkür ederim por tudo
Hosçakal Turquia.
P.S. Amanhã é dia de viagem. Quando
voltar a este espaço já estarei no Irão com outras aventuras para
relatar. Se tudo correr bem volto a este espaço quarta-feira.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
No-Mad - Post 11: Isto também faz parte da viagem
sexta-feira, maio 04, 2012
What's up?
Friday, November 11, 2011
Isto também faz parte da viagem...
Altura
de bomdiar o pessoal da estalagem. Neste caso apenas um, o Chris, um
viajante suiço. Mas no caso dele a fazer uma slow trip – uma viagem de
bicicleta à volta do mundo. Por enquanto está por aqui, neste trabalho,
enquanto prepara o seu próximo destino. Para além do pequeno-almoço –
tostas com manteiga e compota acompanhadas de chá – fornece-me também
umas dicas sobre sitios que devo ver. Algo que acolho com muito gosto e
que decido seguir.
Mochila
nas costas e lá vou eu. O inicio é simples, uma estrada no meio de uma
planície quase desértica. A meio sinto uma gota de água. “Estou a
imaginar coisas...” digo para acalmar a minha preocupação crescente. Mas
depois da primeira vem sempre uma outra, e quando o meu blusão começa a
ficar molhado já não posso ignorar a realidade. Olho para a frente e
vejo o céu carregado e nenhum abrigo. Uma simples chuva não me preocupa.
Chuva, frio e vento já é outra história.
Decido,
muito a contra-gosto, regressar à pequena aldeia turistica que é
Göreme. Começou hoje a época baixa e por estes lados não existe muito
que fazer.
Decido
retemperar o meu espirito com o melhor café latte do sítio (pelo menos é
o que publicitam). O café é cosy e o latte é mesmo bom. Mais bem
disposto, decido dar utilidade ao meu dia. Começo por comprar o meu
bilhete de ida para Ankara e parar no supermercado para comprar algumas
coisas que precisava. Dia de escrita e afazeres. Respiro fundo e tomo
consciência do que tenho pela frente.
Entro
na pensão determinado. Um dia tinha de o fazer, e apesar do frio, hoje é
o dia: tenho de lavar roupa. Olho à minha volta e encontro um balde e
alguidar. Essa parte está tratada. Agora é encontrar um sitio para
pendurar abrigado da chuva. Saio para a varanda e encontro o cordel. No
entanto
está
suficiente laço para se colar à parede, algo que teria de solucionar.
Vou à mochila, e tiro do meu saco “macgyver” o cordel que trouxe comigo.
Nó para aqui, ajuste para ali e em três tempos tenho o cordel da roupa
bem esticado. Depois é altura da árdua tarefa. Faço-a com um sorriso no
rosto.
Passo o resto do
dia na pensão. Esta parece um abrigo de viajantes perdidos no deserto.
Tem um charme difícil de explicar. Um empregado turco que fala pouco
inglês e mal te liga. Um sistema de self service de bebidas em que somos
nós que apontamos o que consumimos num papel disponível ao lado do
frigorifico. E uma dessarrumação que nos faz sentir em nossa casa. Não
sei o que é, mas gosto.
Apesar
de não ter feito nada, chego ao fim do dia feliz. Afinal isto também
faz parte da viagem. E apesar de não ter o glamour de outras
actividades, sei que é um passo no caminho que iniciei onze dias atrás.
P.S. Agora rezo para que as roupas não congelem com este frio infernal (prevê-se temperaturas negativas)
quarta-feira, 2 de maio de 2012
No-Mad - Post 10: Uma Companhia muito Especial
quarta-feira, maio 02, 2012
What's up?
Friday, November 11, 2011
Uma companhia muito especial...
E
quando o cansaço apertou, foi altura de regressar. O Sol já se escondia
por entre as montanhas e o frio aqui é implacável. Despeço-me uma
última vez de Roxelana e Halide. Sem dúvida, foram as melhores amigas
deste homem neste dia...
segunda-feira, 30 de abril de 2012
No-Mad - Post 9: Carta
segunda-feira, abril 30, 2012
What's up?
Thursday, November 10, 2011
Carta
Göreme, 09 de Novembro de 2011
Querid@ leitor(a),Cheguei bem a Göreme. A viagem foi longa e um pouco cansativa. Mas acabou por compensar... Acordei para ver o belo nascer do Sol em Cappadocia. É uma paisagem vasta. O tom esbranquiçado do terreno combina na perfeição com os raios de sol matinais. Talvez seja por isso que a viagem de balão começa nesta hora do dia. E são tantos! Um autêntico postal vivo.
Ontem acabei por não fazer muito. Check in na pensão e parti para ver o Göreme Open Air Museum. Sei que vou utilizar muito esta palavra mas é mesmo bonito. Um complexo monástico forjado nas rochas desta região. Não é muito vasto, mas todo o local permite imaginar como seria a vida por aqui. E apesar dos turistas encherem as galerias – tornando a experiência um teste à paciência – por fora consegues ter uma excelente vista sobre o vale que se estende a partir de Göreme. A Capela Escura vale bem a pena as 8 liras adicionais. Os seus frescos parecem novos e daqui conseguimos imaginar a beleza que seriam as outras galerias. Apesar de proibido ainda consegui tirar algumas fotografias. Mais pela minha ignorância (e sorte) do que pela ousadia. Só à quarta fotografia é que o segurança (que tinha acabado de entrar) me avisou “no photos”. Fiz a minha cara 31 de turista ignorante e segui em frente.
O resto do dia foi mais calmo. Ainda parti à busca do pôr de sol, mas revelou-se uma tarefa impossível. Saí muito tarde do hostel e o momento fugiu-me. Sem problemas, pois acabei por encontrar a primeira pessoa que conheci na viagem: Yuhsi, de Taiwan. Coincidência do destino, também se despediu do emprego e está a fazer uma longa viagem pela Europa e arredores. Acabámos o dia com uma excelente conversa, daquelas que não conhecem horários.
Acabei por recordar todos os bons companheiros de quarto e amigos que conheci. Uma prova viva que a simpatia não conhece coordenadas. Partilhámos uns breves bons momentos, mas foi o suficiente para criar amizades, arranjar contatos e conhecer optimas histórias. Uma delas pareceu tirada de um filme romântico. Ele brasileiro, ela turca. Conheceram-se e falaram pela internet durante uma década. Apaixonam-se na primeira vez que estão juntos. É magia pura e vou torcer os dedos para que tudo dê certo. O Metropolis Hostel teve mesmo um vibe especial. E até o recepcionista, de aspecto cheguevariano e humor esquizofrénico (saltando de uma simpatia soviética para uma latina enquanto o diabo esfrega um olho), me parece uma personagem talhada para aparecer numa história qualquer.
É altura de me despedir. Vou precorrer os bonitos (lá está a palavra outra vez) trilhos que esta região tem para oferecer....
Contigo no meu pensamento, me despeço,
Um beijo e um abraço apertado,
Stran, o puto viajante
quinta-feira, 26 de abril de 2012
No-Mad - Post 8: Um Dia Improvável
quinta-feira, abril 26, 2012
What's up?
Monday, November 7, 2011
Um dia improvável...
Que dia mais insano que passei em Istambul. Programei um dia calmo
com pouco para fazer. Começava pela Universidade e fazer o caminho de
volta até ao Grand Bazaar. Mas parecia que o azar ia ser o mote do dia. À
primeira fotografia descubro que não tenho bateria e chego ao mercado
para o encontrar fechado. Back to the hostel e aproveito para tratar do
próximo destino: Cappadoccia.
Já
com a bateria carregada, aceito o convite do Sol de Outono e volto à
rua. Não tinha nenhum foco em particular. A imagem de uma Nargile em
Tophane leva-me ao elétrico, mas decido sair a meio. Culpa do mar que me
atraie cada vez m
ais.
Nunca tinha estado numa cidade cortada por um mar e o seu azul escuro
fascina-me. Lembro-me que ainda não tinha visitado o Spice Bazaar e por
isso começo o meu dia por aí. Também está fechado. Mas as ruas apertadas
que o ladeiam fervilhavam de comércio e perco-me por lá. Sigo a
multidão que vai parando pelas bancadas de mercadorias. Existe um pouco
de tudo: bijuterias, sapatos, lenços, doces ou especiarias. Os
vendedores competem por ver quem tem a melhor voz e capta mais a
atenção. Vou saltando de rua em rua, seguindo ao acaso. Escolho a
insegurança e sigo pelos caminhos que chamam por mim.

Sento-me
um pouco num dos inúmeros bancos que existem. O que fazer agora? Abro o
meu guia e reparo que ainda me faltava ir a Istanbul Modern, um espaço
para arte contemporanea. De moedinha na mão (aqui os bilhetes são moedas
de plástico) lá sigo para Tophane.
Agora
dou por mim numa zona deserta e silenciosa. Nem parece que estou em
Istambul. Por aqui o único habitante que encontro é um ou outro gato que
me ignora por completo. Esta cidade é uma cidade de gatos. Cada um com a
sua personalidade: encontramos os tímidos, os preguiçosos, os vádios e
os descarados. Dão um tom único a uma cidade que parece cuidar deles.
Dou-me
por vencido e decido procurar ajuda. Não me apetecia andar horas até
chegar a um ponto conhecido. Orientação recebida e dou por mim na zona
de Sultanahmet.
Aqui já não são os habitantes locais que dominam mas sim os turistas. A agitação das máquinas fotográficas, as poses e os guias são os actores deste palco histórico.
Aqui já não são os habitantes locais que dominam mas sim os turistas. A agitação das máquinas fotográficas, as poses e os guias são os actores deste palco histórico.
Chego
e descubro que é altura de Istanbul Biennial, um ponto de encontro em
Istanbul entre artistas de diferentes culturas criado pelo İstanbul
Foundation for Culture and Arts. Este ano as obras combinam arte com
politica. A forma artistica como expressão politica é algo que admiro
bastante. Adorei o espaço clean e eficaz, e algumas obras
surpreenderam-me, quer pela sua originalidade, quer pelo seu carácter
inovador. Uma que me tocou em particular foram os desposos de uma
demolição na Palestina. Um sapato, uma gaveta ou uma colher relembrava
que mais que tudo este é um conflito humano. Sem dúvida uma exibição
muito bem conseguida.
Altura
de relaxar. Saio deste espaço para entrar num dos inúmeros cafés e
recordo este meu dia insano. Só nesta cidade é que uma pessoa passa pela
agitação medieval do comércio de rua, entra em ruas desertas
semelhantes a uma aldeia, volta à agitação de um pólo turistico,
encontra a modernidade artistica e termina a relaxar num hábito milenar
de fumar um cachimbo de água. Até parece bom demais para ser verdade.
Alguém belisque-me, por favor...
domingo, 22 de abril de 2012
No-Mad World Tour - Post 7: What (Is)tanbul?
domingo, abril 22, 2012
What's up?
Sunday, November 6, 2011
What (Is)tanbul
Na
Europa “ocidental” a Turquia parece um país fechado, conservador e
distante. Preconceito muitas vezes estendido a Istanbul. Na melhor das
hipóteses, temos uma ideia duma cidade distante e exótica. Nada pode
estar mais afastado da realidade. Percebi isso logo que desci das nuvens
e vi pela primeira vez “A Cidade”. Foi uma tonalidade familiar que me
acolheu. Por momentos parecia que chegava a casa.
Não estava preparado para isso. Fruto dos meus próprios preconceitos, tinha imaginado uma cidade transformista, um local de passagem para sitios mais exóticos. E como eu estava enganado. O nome da cidade foi escolhido a dedo. Esta é uma cidade que vale por si só. Não se consegue realmente descrever. Tentar fazê-lo é como apanhar o vento com as mãos. Não é algo que se agarra mas sim que se sente.
Não estava preparado para isso. Fruto dos meus próprios preconceitos, tinha imaginado uma cidade transformista, um local de passagem para sitios mais exóticos. E como eu estava enganado. O nome da cidade foi escolhido a dedo. Esta é uma cidade que vale por si só. Não se consegue realmente descrever. Tentar fazê-lo é como apanhar o vento com as mãos. Não é algo que se agarra mas sim que se sente.
É impossível para mim responder à questão. Tem sido difícil escrever este texto. Talvez por ser o primeiro, ou talvez por sentir a responsabilidade de escrever sobre uma cidade que aprendi a amar e a respeitar. Logo quando cheguei a Aya Sofia Meydani, uma praça que medeia as duas conhecidas mesquitas, senti isso. Nunca as apreciei muito. Habituado a templos muito ornamentados, as que conhecia sempre
Nesta zona conseguimos encontrar três das atrações mais conhecidas desta cidade a uma distância de cinco minutos. Para além da Mesquita Azul e Ayasofia, existe também o Palácio Topkapi. Um palácio que vale mais pelos seus espaços, arquitetura e história, do que pela beleza dos seus quartos interiores.
Toda esta zona foi um excelente arranque para a minha aventura em Istanbul, mas se se resumisse a isto, não seria a cidade que tanto gosto. Sortudo como sou, tive o privilégio de ir um pouco além do circuito normal turistico. Devo-o a três amigas desta maravilhosa cidade. E talvez mais que tudo o que tenha visto e experimentado, elas são o que de melhor esta cidade tem para oferecer: uma enorme simpatia e um extraordinário prazer em nos mostrar o que de melhor existe.
A uma devo a
Para além desta experiência, segui o conselho de visitar duas zonas da cidade: Ortaköi e Vali Konagi Caddesi. O primeiro é um bairro cheio de comercio e cafés.
A uma outra amiga devo uma excelente noite passada em Tophane a fumar Nargile e a conversar. E, principalmente, a conhecer um pouco mais da realidade deste país e desta cult
Finalmente, a terceira pessoa deu-me a oportunidade de poder fazer à noite uma caminhada entre Tophane - que fica na parte norte -
E talvez seja isto que esta cidade é: apaixonante. Como disse no início, não a sei definir. Talvez seja um pouco de tudo. São milhões de vidas que cruzam estas ruas, e que, pouco a pouco, transformam esta cidade em algo único. Aqui, eu não vejo uma ponte entre o Ocidente e o Oriente, nem sequer vejo exotismo. Aqui, vejo uma cidade que é única e que vale pelo seu todo. Vejo simpatia sem paralelo e um sítio a que poderia chamar de casa. Esta é “A Cidade”, e acho que depois desta experiência também a levo comigo. De uma forma inexplicável também tornou-se a minha cidade. Talvez isso seja Istanbul...
sexta-feira, 20 de abril de 2012
No-Mad - Post 6: 1.11.11
sexta-feira, abril 20, 2012
What's up?
Thursday, November 3, 2011
1.11.11
Bem-vindos à minha grande aventura! Com uma pontualidade alemã, a minha viagem começou à 00:01 do dia 1.11.11. Não o fiz de propósito, mas o comboio que me levou ao aeroporto chegou nesse momento. Agradável coincidência.
Depois de uma viagem de quatro horas, o meu corpo pedia pela dose de nicotina. E como qualquer boa estação alemã, a zona amarela marcava o meu porto de abrigo. Mal tinha aceso o meu cigarro e vozes mediterrânicas preenchiam o vazio da estação. Uma senhora de lenço na cabeça disparava umas palavras incompreensíveis, e uma outra tentava acompanhar o seu ritmo infernal.
A primeira aponta para o relógio acima de mim e diz-me algo em alemão. “No deutsch” respondo-lhe, ao que ela retorna com um “No english”. Mas a barreira linguística não a demoveu e em breve estavamos a ter uma breve e estranha conversa. Descubro que uma é turca com muitas malas e a outra é Napolitana, que a estava a ajudar (talvez até um pouco forçada). Ambas aguardavam o próximo comboio e queriam saber se tinham tempo para fumar. Uma companhia que durou o tempo de um cigarro e cada um de nós seguiu o seu destino.
Chego finalmente ao aeroporto e encontro-o despido. Apenas uns quantos vagueavam pelos corredores enquanto muitas pessoas preparavam mais um dia de um dos mais internacionais aeroportos da Europa - Frankfurt. Sem cafés abertos e com 25 quilos para carregar, decido sentar-me num banco corrido. A minha cama improvisada. No início estava um pouco tímido, mas após uns momentos, o cansaço já falava mais alto e eu dormitava o melhor que podia.
Acordei ao som de movimento e rodeado de pessoas que aguardavam o primeiro voo, e que eu transformasse a minha cama em lugares para se sentarem. E com essa dica fui tratar das minhas “burocracias” e ficar 20 quilos mais leve. Agora, sem mais que fazer, andei um pouco pelos cafés e lojas até que cheguei à porta de embarque que estava no meu bilhete. Com uma hora para queimar e umas cadeiras convidativas, dormitei um pouco mais. Acordei e decidi ir verificar se o bilhete estava correto. Coisas que se fazem quando ansiamos algo. Olho uma vez para o ecrã e esfrego rapidamente os olhos. Volto a verificar e não quero acreditar: faltam dez minutos e a porta de embarque é diferente da do meu bilhete. O tempo passou bem rápido nesse momento. Coisas que o stress faz. Quando dei conta já estava dentro do avião.
A viagem de três horas foram passadas com muito nervosismo. A aventura estava quase a arrancar e todos os receios vieram ao de cima. Como vou tratar dos vistos? Como vou encontrar o hostel? Serei capaz de tudo? Por momentos tive um ataque de pânico. Mas tão rápido como apareceu, desapareceu. A imagem do que estava a fazer acalmou-me. E enquanto descia pelas nuvens que cobriam Istambul a única coisa que ansiava era ver a primeira imagem desta bela cidade...
Depois de uma viagem de quatro horas, o meu corpo pedia pela dose de nicotina. E como qualquer boa estação alemã, a zona amarela marcava o meu porto de abrigo. Mal tinha aceso o meu cigarro e vozes mediterrânicas preenchiam o vazio da estação. Uma senhora de lenço na cabeça disparava umas palavras incompreensíveis, e uma outra tentava acompanhar o seu ritmo infernal.
A primeira aponta para o relógio acima de mim e diz-me algo em alemão. “No deutsch” respondo-lhe, ao que ela retorna com um “No english”. Mas a barreira linguística não a demoveu e em breve estavamos a ter uma breve e estranha conversa. Descubro que uma é turca com muitas malas e a outra é Napolitana, que a estava a ajudar (talvez até um pouco forçada). Ambas aguardavam o próximo comboio e queriam saber se tinham tempo para fumar. Uma companhia que durou o tempo de um cigarro e cada um de nós seguiu o seu destino.
Chego finalmente ao aeroporto e encontro-o despido. Apenas uns quantos vagueavam pelos corredores enquanto muitas pessoas preparavam mais um dia de um dos mais internacionais aeroportos da Europa - Frankfurt. Sem cafés abertos e com 25 quilos para carregar, decido sentar-me num banco corrido. A minha cama improvisada. No início estava um pouco tímido, mas após uns momentos, o cansaço já falava mais alto e eu dormitava o melhor que podia.
Acordei ao som de movimento e rodeado de pessoas que aguardavam o primeiro voo, e que eu transformasse a minha cama em lugares para se sentarem. E com essa dica fui tratar das minhas “burocracias” e ficar 20 quilos mais leve. Agora, sem mais que fazer, andei um pouco pelos cafés e lojas até que cheguei à porta de embarque que estava no meu bilhete. Com uma hora para queimar e umas cadeiras convidativas, dormitei um pouco mais. Acordei e decidi ir verificar se o bilhete estava correto. Coisas que se fazem quando ansiamos algo. Olho uma vez para o ecrã e esfrego rapidamente os olhos. Volto a verificar e não quero acreditar: faltam dez minutos e a porta de embarque é diferente da do meu bilhete. O tempo passou bem rápido nesse momento. Coisas que o stress faz. Quando dei conta já estava dentro do avião.
A viagem de três horas foram passadas com muito nervosismo. A aventura estava quase a arrancar e todos os receios vieram ao de cima. Como vou tratar dos vistos? Como vou encontrar o hostel? Serei capaz de tudo? Por momentos tive um ataque de pânico. Mas tão rápido como apareceu, desapareceu. A imagem do que estava a fazer acalmou-me. E enquanto descia pelas nuvens que cobriam Istambul a única coisa que ansiava era ver a primeira imagem desta bela cidade...
terça-feira, 17 de abril de 2012
No-Mad - Post 5: Última semana
terça-feira, abril 17, 2012
What's up?
Sunday, October 16, 2011
Última semana...
Chegou a última semana. Dizer que o tempo passou a voar é um cliché. Mas um que assenta na perfeição o decorrer destes meses. Quase sem recordação do desfolhar dos dias, uma última semana apresenta-se à minha frente. Uma de emoções fortes, como têm sido as que passaram.
Saí do trabalho. Foi estranho. Uma experiência que ainda não tinha atravessado. Fechou-se um ciclo. Deixo para trás a rotina diária e a segurança de uma vida estável. Encontrei, ao longo dos últimos 10 anos, amig@s e pessoas extraordinárias. Não desminto que passei por situações desagradáveis, mas tudo o resto superou esses momentos. Cresci e aprendi muito. Sinto que era uma pessoa diferente quando entrei no trabalho. Como em tudo na minha vida tive a sorte do meu lado. A mão amiga quando precisei, o conselho no momento certo e a paciência de muitas pessoas. Não era o meu destino continuar, mas foi complicado tomar a decisão de partir.
Sei que no dia-a-dia é dificil ver para além dos problemas, mas trabalhar é muito mais que executar tarefas. É partilhar espaços, emocionais e fisicos, e, mais que tudo, partilhar vivências com outras pessoas. Sem dúvida, é o mais importante que levo comigo – as pessoas. Guardarei para sempre, no cantinho mais importante da minha alma, as mesmas. Porque foram elas que partilharam comigo estes 10 anos de experiência laboral. Saio com um profundo sentido de gratidão por tudo o que recebi.
Mas o sonho falou mais alto. Julgo que é aí que esta aventura se inícia, com um sonho. Depois, quase como um chamamento, tu és empurrado para escolhas que te guiam a esta última semana. Escolhas que acontecem porque é para realizar os sonhos que inventaram o verbo viver....
Última semana...
Chegou a última semana. Dizer que o tempo passou a voar é um cliché. Mas um que assenta na perfeição o decorrer destes meses. Quase sem recordação do desfolhar dos dias, uma última semana apresenta-se à minha frente. Uma de emoções fortes, como têm sido as que passaram.
Saí do trabalho. Foi estranho. Uma experiência que ainda não tinha atravessado. Fechou-se um ciclo. Deixo para trás a rotina diária e a segurança de uma vida estável. Encontrei, ao longo dos últimos 10 anos, amig@s e pessoas extraordinárias. Não desminto que passei por situações desagradáveis, mas tudo o resto superou esses momentos. Cresci e aprendi muito. Sinto que era uma pessoa diferente quando entrei no trabalho. Como em tudo na minha vida tive a sorte do meu lado. A mão amiga quando precisei, o conselho no momento certo e a paciência de muitas pessoas. Não era o meu destino continuar, mas foi complicado tomar a decisão de partir.
Sei que no dia-a-dia é dificil ver para além dos problemas, mas trabalhar é muito mais que executar tarefas. É partilhar espaços, emocionais e fisicos, e, mais que tudo, partilhar vivências com outras pessoas. Sem dúvida, é o mais importante que levo comigo – as pessoas. Guardarei para sempre, no cantinho mais importante da minha alma, as mesmas. Porque foram elas que partilharam comigo estes 10 anos de experiência laboral. Saio com um profundo sentido de gratidão por tudo o que recebi.
Mas o sonho falou mais alto. Julgo que é aí que esta aventura se inícia, com um sonho. Depois, quase como um chamamento, tu és empurrado para escolhas que te guiam a esta última semana. Escolhas que acontecem porque é para realizar os sonhos que inventaram o verbo viver....
sexta-feira, 13 de abril de 2012
No-Mad World Tour - Post 4: Preparativos iniciais
sexta-feira, abril 13, 2012
What's up?
Saturday, August 20, 2011
Preparativos iniciais
Não sei muito bem onde estou. Parte de mim já partiu. Apenas me apercebi disto quando entreguei a carta de demissão. Mais do que uma simples carta é uma vida que deixava para trás. A partir desse momento tudo mudou. O meu espírito seguiu o seu caminho enquanto deixou o meu corpo para tratar dos preparativos.
E o primeiro foi sentar-me e começar a planear os pormenores desta viagem. Chegou a altura de decidir. É díficil não nos perdermos nas opções. Por isso a minha primeira decisão foi o de tomar o mínimo de decisões. Quero ir ao sabor do vento e ter a oportunidade de estar perdido. Assim tirando o primeiro percurso, Istambul-Mumbai, tudo será decidido pelo caminho. Tenho uma orientação de quais trilhos quero percorrer, mas não vale a pena ter mais que isso.
De seguida começou a fase das compras. Ou melhor das tentativas de compras. É um longo processo de tomada de decisão. Estou consciente que cada euro que sai é menos alguns metros na minha viagem, por isso há que ser bastante cuidadoso nas minhas escolhas. E é uma transformação interessante. Tendo vivido o boom do consumismo, todo o meu processo mental foi distorcido. O impulso de comprar aparece em cada esquina ou montra.
No entanto, pela primeira vez tenho um travão mental. E esse faz-me perder interesse em cerca de 99% das coisas que vejo. Tudo passa a ganhar um tom de surrealidade e este mundo deixa de fazer sentido. Vejo que muito mudou nas ultimas décadas. Já não compras um produto. Compras um cabaz. O melhor exemplo é o telemóvel, que actualmente é um não-sei-quantos-em-1. Assim, a tua tomada de decisão tornou-se bem mais complexa. Não estranho a opção publicitária de apelar ao consumo pela emoção. Isso torna todo o processo de decisão muito mais fácil.
Resultado desta minha primeira investida: não comprei quase nada. Traduzindo: comprei apenas um item dos que preciso. Gosto sempre de começar pela “casa”. A minha tem 3 compartimentos, alguns anexos e materiais de excelência. Ah, e tem alças. Encontrei-a numa loja de especialidade no Alto dos Moinhos. Daquelas à moda antiga, em que quem por lá trabalha não só percebe da coisa como tem prazer no que faz. Não se compra uma “casa” num daqueles espaços standardizados.
A pessoa que me atendeu disse logo uma marca: deuter. Vimos alguns modelos, mas os meus olhos já se tinham apaixonado por uma. Ainda tentei manter a racionalidade e fui para casa pesquisar na internet. Ou melhor, fui para casa apenas fingir que ia tomar uma decisão ponderada. Óbvio que no dia seguinte já tinha a mochila.
E depois desta febre consumista, apareceram os compromissos “administrativos”. Adivinharam: vistos e vacinas. Começando pelos últimos, foi uma agradável surpresa descobrir que tudo está mais facilitado. Foi mesmo só chegar ao centro de saúde e receber a vacina que se encontrava em atraso, enquanto aguardo pela consulta de viajante. Foi estranho voltar a um sítio onde já passei tantas horas da minha vida. Apesar das inúmeras renovações, ainda encontro os recantos onde tantas vezes brinquei. “Privilégios” de ter uma mãe enfermeira.
Já a história dos vistos não é tão “romântica”. Que gente complicada que gere os países. Bem sei que estou mal habituado na Europa, essa terra sem fronteiras. Não gosto de coisas desnecessárias e, para quem quer apenas visitar países, toda esta burocracia parece uma completa perda de tempo. O que vale é que no final fico com um caderninho cheio de carimbos...
Preparativos iniciais
Não sei muito bem onde estou. Parte de mim já partiu. Apenas me apercebi disto quando entreguei a carta de demissão. Mais do que uma simples carta é uma vida que deixava para trás. A partir desse momento tudo mudou. O meu espírito seguiu o seu caminho enquanto deixou o meu corpo para tratar dos preparativos.
E o primeiro foi sentar-me e começar a planear os pormenores desta viagem. Chegou a altura de decidir. É díficil não nos perdermos nas opções. Por isso a minha primeira decisão foi o de tomar o mínimo de decisões. Quero ir ao sabor do vento e ter a oportunidade de estar perdido. Assim tirando o primeiro percurso, Istambul-Mumbai, tudo será decidido pelo caminho. Tenho uma orientação de quais trilhos quero percorrer, mas não vale a pena ter mais que isso.
De seguida começou a fase das compras. Ou melhor das tentativas de compras. É um longo processo de tomada de decisão. Estou consciente que cada euro que sai é menos alguns metros na minha viagem, por isso há que ser bastante cuidadoso nas minhas escolhas. E é uma transformação interessante. Tendo vivido o boom do consumismo, todo o meu processo mental foi distorcido. O impulso de comprar aparece em cada esquina ou montra.
No entanto, pela primeira vez tenho um travão mental. E esse faz-me perder interesse em cerca de 99% das coisas que vejo. Tudo passa a ganhar um tom de surrealidade e este mundo deixa de fazer sentido. Vejo que muito mudou nas ultimas décadas. Já não compras um produto. Compras um cabaz. O melhor exemplo é o telemóvel, que actualmente é um não-sei-quantos-em-1. Assim, a tua tomada de decisão tornou-se bem mais complexa. Não estranho a opção publicitária de apelar ao consumo pela emoção. Isso torna todo o processo de decisão muito mais fácil.
Resultado desta minha primeira investida: não comprei quase nada. Traduzindo: comprei apenas um item dos que preciso. Gosto sempre de começar pela “casa”. A minha tem 3 compartimentos, alguns anexos e materiais de excelência. Ah, e tem alças. Encontrei-a numa loja de especialidade no Alto dos Moinhos. Daquelas à moda antiga, em que quem por lá trabalha não só percebe da coisa como tem prazer no que faz. Não se compra uma “casa” num daqueles espaços standardizados.
A pessoa que me atendeu disse logo uma marca: deuter. Vimos alguns modelos, mas os meus olhos já se tinham apaixonado por uma. Ainda tentei manter a racionalidade e fui para casa pesquisar na internet. Ou melhor, fui para casa apenas fingir que ia tomar uma decisão ponderada. Óbvio que no dia seguinte já tinha a mochila.
E depois desta febre consumista, apareceram os compromissos “administrativos”. Adivinharam: vistos e vacinas. Começando pelos últimos, foi uma agradável surpresa descobrir que tudo está mais facilitado. Foi mesmo só chegar ao centro de saúde e receber a vacina que se encontrava em atraso, enquanto aguardo pela consulta de viajante. Foi estranho voltar a um sítio onde já passei tantas horas da minha vida. Apesar das inúmeras renovações, ainda encontro os recantos onde tantas vezes brinquei. “Privilégios” de ter uma mãe enfermeira.
Já a história dos vistos não é tão “romântica”. Que gente complicada que gere os países. Bem sei que estou mal habituado na Europa, essa terra sem fronteiras. Não gosto de coisas desnecessárias e, para quem quer apenas visitar países, toda esta burocracia parece uma completa perda de tempo. O que vale é que no final fico com um caderninho cheio de carimbos...
sexta-feira, 6 de abril de 2012
No-Mad World Tour - Post 3: O Itinerário
sexta-feira, abril 06, 2012
What's up?
Sunday, July 24, 2011
F.A.Q. 2
Ainda numa fase muito embrionária, já tenho um esboço daquilo que será o meu futuro itinerário. Parto com total liberdade. Tal significa que dificilmente cumprirei o que vou escrever abaixo. Leiam mais como um processo de intenção do que uma rota rígida.
Novembro: Turquia e Irão
Começo por duas culturas que sempre me apaixonaram. Istambul sempre foi mitica para mim e é a minha porta de entrada para dez meses a viajar. Depois dou um pulinho a Capadoccia para imagens que por certo me ficarão na memória. Acabo o mês na terra dos Persas e das Mil e Uma Noites.
Dezembro: India
Aterrar na megapolis Mumbai para enfrentar sem receios a India moderna. Depois rumo ao Sul para conhecer esta parte da India. Goa é sem dúvida uma dos highlights. É uma das cidades que já há muito tempo anseio visitar. Na minha adolescência Goa era o sitio para ir. E, passado alguns anos, lá estarei.
Janeiro: India
Depois de conhecer o Sul rumo ao Norte. E aqui é dificil de dizer o que não quero ver. Talvez a parte da India que mais pessoas ouviram falar. A lista é extensa e deixo apenas um sitio, por ser aquele que há mais tempo desejei ir: Taj Mahal.
Fevereiro: Nepal e China
É altura de beber a paz budista. Se possível passar uma semana num templo. Depois é rumar ao Tibete onde ficarei uns dias. Gostaria de avançar pela China e entrar em Laos por aqui, mas tal ainda não é uma certeza. Caso não consiga é voltar à India e apanhar um avião para a Tailândia.
Março: Sudeste Asiático (Laos, Cambodja e Vietname)
Outro dos meus sonhos de criança: Angkor Vat. A expectativa para esta parte do globo é grande. Entre outras coisas apetece-me passear pelo Mekong e conhecer por dentro a história brutal da guerra do Vietname
Abril: China
Quem não se lembra d'“Os heróis de Shaolin”? Bem apenas posso dizer que tentarei “visitá-los”. China é das maiores incognitas na minha viagem. Não sei muito o que esperar. Tem em mim uma paixão antiga, mas a cultura actual chinesa causa-me receio que se possa tornar numa desilusão. Independente do que acontecer, a possibilidade de andar na muralha da China é algo que já me deixa sem palavras.
Maio: Japão e Austrália
Arvores em flor, jardins perfeitos e templos pacíficos. É esta a imagem que imagino do Japão. Há algum tempo que sou um apaixonado por este país e pela sua cultura. A contrastar esta imagem aparece a moderna Tokyo, uma das cidades que mais me enche as medidas. Não me importaria de viver aqui uns anos, mas isso ficará para dias vindouros. Australia aparece por acaso. Em principio a rota mais barata para a América Latina passa por aqui, pelo que devo aproveitar para ter um cheirinho desta terra.
Junho: Brasil e Argentina
Aterro no Rio de Janeiro, mas será por pouco tempo. Rumo ao sul em direcção às cataratas de Iguaçu, fazendo uma ou outra paragem pelo caminho. Depois chego à cidade do Tango, Buenos Aires. Já me sinto a dançar (na realidade mais a ver) ao som desta cidade. Começo então o caminho para a Patagónia.
Julho: Chile e Peru
E chego ao ponto mais a Sul da minha viagem. Espera-me paisagens que de certo me tornarão mais humilde. E como não penso ir até à Antártida é altura de rumar a norte, visitar a ilha de Páscoa e entrar no Peru pelo lago Titicaca. E neste país, apesar de tantos highlights, só tenho duas palavras: Machu Pichu.
Agosto: Brasil
Termino a viagem perdido na selva, para depois saborear a costa brasileira. Rumarei até ao meu destino final: Rio de Janeiro. Sem dúvida uma bom porto para terminar esta longa jornada.
Nota Final: esta é a versão mais curta do que será a minha viagem. Caso o orçamento dê para mais não ficarei por aqui...
Novembro: Turquia e Irão
Começo por duas culturas que sempre me apaixonaram. Istambul sempre foi mitica para mim e é a minha porta de entrada para dez meses a viajar. Depois dou um pulinho a Capadoccia para imagens que por certo me ficarão na memória. Acabo o mês na terra dos Persas e das Mil e Uma Noites.
Dezembro: India
Aterrar na megapolis Mumbai para enfrentar sem receios a India moderna. Depois rumo ao Sul para conhecer esta parte da India. Goa é sem dúvida uma dos highlights. É uma das cidades que já há muito tempo anseio visitar. Na minha adolescência Goa era o sitio para ir. E, passado alguns anos, lá estarei.
Janeiro: India
Depois de conhecer o Sul rumo ao Norte. E aqui é dificil de dizer o que não quero ver. Talvez a parte da India que mais pessoas ouviram falar. A lista é extensa e deixo apenas um sitio, por ser aquele que há mais tempo desejei ir: Taj Mahal.
Fevereiro: Nepal e China
É altura de beber a paz budista. Se possível passar uma semana num templo. Depois é rumar ao Tibete onde ficarei uns dias. Gostaria de avançar pela China e entrar em Laos por aqui, mas tal ainda não é uma certeza. Caso não consiga é voltar à India e apanhar um avião para a Tailândia.
Março: Sudeste Asiático (Laos, Cambodja e Vietname)
Outro dos meus sonhos de criança: Angkor Vat. A expectativa para esta parte do globo é grande. Entre outras coisas apetece-me passear pelo Mekong e conhecer por dentro a história brutal da guerra do Vietname
Abril: China
Quem não se lembra d'“Os heróis de Shaolin”? Bem apenas posso dizer que tentarei “visitá-los”. China é das maiores incognitas na minha viagem. Não sei muito o que esperar. Tem em mim uma paixão antiga, mas a cultura actual chinesa causa-me receio que se possa tornar numa desilusão. Independente do que acontecer, a possibilidade de andar na muralha da China é algo que já me deixa sem palavras.
Maio: Japão e Austrália
Arvores em flor, jardins perfeitos e templos pacíficos. É esta a imagem que imagino do Japão. Há algum tempo que sou um apaixonado por este país e pela sua cultura. A contrastar esta imagem aparece a moderna Tokyo, uma das cidades que mais me enche as medidas. Não me importaria de viver aqui uns anos, mas isso ficará para dias vindouros. Australia aparece por acaso. Em principio a rota mais barata para a América Latina passa por aqui, pelo que devo aproveitar para ter um cheirinho desta terra.
Junho: Brasil e Argentina
Aterro no Rio de Janeiro, mas será por pouco tempo. Rumo ao sul em direcção às cataratas de Iguaçu, fazendo uma ou outra paragem pelo caminho. Depois chego à cidade do Tango, Buenos Aires. Já me sinto a dançar (na realidade mais a ver) ao som desta cidade. Começo então o caminho para a Patagónia.
Julho: Chile e Peru
E chego ao ponto mais a Sul da minha viagem. Espera-me paisagens que de certo me tornarão mais humilde. E como não penso ir até à Antártida é altura de rumar a norte, visitar a ilha de Páscoa e entrar no Peru pelo lago Titicaca. E neste país, apesar de tantos highlights, só tenho duas palavras: Machu Pichu.
Agosto: Brasil
Termino a viagem perdido na selva, para depois saborear a costa brasileira. Rumarei até ao meu destino final: Rio de Janeiro. Sem dúvida uma bom porto para terminar esta longa jornada.
Nota Final: esta é a versão mais curta do que será a minha viagem. Caso o orçamento dê para mais não ficarei por aqui...
quarta-feira, 4 de abril de 2012
No-Mad World Tour - Post 2: Quanto é o orçamento para uma volta ao mundo?
quarta-feira, abril 04, 2012
What's up?
Sunday, July 3, 2011
F.A.Q. 1 – “Quanto é o orçamento para uma volta ao mundo?”
Gosto da forma doce como me perguntam quanto vai custar este sonho. Talvez seja uma caracteristica dos portugueses. Com raízes católicas ainda estamos habituados a ver o tema “dinheiro” com alguma vergonha. Assim, quando perguntam se me importo de dizer o meu orçamento, eu respondo que não. E como sei que é possivelmente a primeira questão que está na cabeça de uma pessoa, escolho-a para abrir a minha secção de F.A.Q.'s.
A resposta é: 20.000,00 Eur. Para uns é muito, para outros é pouco. Para mim é a conta certa. Dito o valor, explico como cheguei ao mesmo. Como sempre comecei pela net. Googlei a expressão “World trip budget” e no meio de vários artigos fui recolhendo informações (uma tool porreira que descobri foi este ficheiro, que foi criado por Filipe Morato Gomes).
Logo vi que um orçamento para uma viagem deste tipo é muito variável. Depende do teu itinerário, do que fazes na viagem e da fase da tua vida em que te encontras. O primeiro e o segundo são fáceis de explicar. O nível de desenvolvimento dos países afecta directamente quanto tu gastas. E neste ponto os extremos tocam-se: países muito desenvolvidos e muito pobres são mais caros enquanto países em vias de desenvolvimento ou semi-desenvolvidos são mais ligeiros para a carteira. Por outro lado se queres ter “luxos” os mesmos inflacionarão o orçamento. A fase da tua vida dir-te-á os “vicios” que já acumulaste. E esses trarão necessariamente custos adicionais. Quer seja o tabaco, a internet ou aquela dor nas costas, tudo isto tem impacto no orçamento. Aliás não é só no corpo que perdes flexibilidade, muitas vezes é mesmo nos hábitos que as pessoas tendem a ficar menos flexíveis com o tempo.
Dito isto, e fazendo um processo de auto-análise, cheguei ao ponto que sabia quais eram os meus limites pessoais. Poderia passar então à fase de criar um orçamento. E uma vez mais tens duas escolhas: ou utilizar uma estratégia “Top-Down” ou então segues a “Bottom-up”. Esta última passa por ir fazendo um levantamento de todos os custos da viagem e no final chegar à conclusão de quanto custará. Comecei o meu orçamento desta forma, e rapidamente cheguei à conclusão que não ia a lado nenhum. Esta estratégia implica teres conhecimento de tudo o que vais fazer. Ora, num universo de possibilidades, isso é uma tarefa infinita. A opção tornou-se clara. Teria que definir o meu máximo para gastar na viagem e a partir daí efectuar o planeamento. E numa mistura de auto-análise pessoal, de capacidade financeira e de vontade real de ir, cheguei a este valor.
Não é só a viagem que é algo único. A forma de orçamentares a mesma também o é. A questão não passa pelo “será que tenho dinheiro para isto?” mas sim pelo “será que quero mesmo ir dar uma volta ao mundo?”. Se responderes que sim à ultima pergunta, a primeira fica resolvida. E esta foi uma das primeiras lições que aprendi. A vontade de fazeres algo depende só de ti.
“Quanto é o orçamento para uma volta ao mundo?” A minha resposta é simples. Entre 1 a 1.000.000,00 Euros. Tudo depende da tua vontade.
A resposta é: 20.000,00 Eur. Para uns é muito, para outros é pouco. Para mim é a conta certa. Dito o valor, explico como cheguei ao mesmo. Como sempre comecei pela net. Googlei a expressão “World trip budget” e no meio de vários artigos fui recolhendo informações (uma tool porreira que descobri foi este ficheiro, que foi criado por Filipe Morato Gomes).
Logo vi que um orçamento para uma viagem deste tipo é muito variável. Depende do teu itinerário, do que fazes na viagem e da fase da tua vida em que te encontras. O primeiro e o segundo são fáceis de explicar. O nível de desenvolvimento dos países afecta directamente quanto tu gastas. E neste ponto os extremos tocam-se: países muito desenvolvidos e muito pobres são mais caros enquanto países em vias de desenvolvimento ou semi-desenvolvidos são mais ligeiros para a carteira. Por outro lado se queres ter “luxos” os mesmos inflacionarão o orçamento. A fase da tua vida dir-te-á os “vicios” que já acumulaste. E esses trarão necessariamente custos adicionais. Quer seja o tabaco, a internet ou aquela dor nas costas, tudo isto tem impacto no orçamento. Aliás não é só no corpo que perdes flexibilidade, muitas vezes é mesmo nos hábitos que as pessoas tendem a ficar menos flexíveis com o tempo.
Dito isto, e fazendo um processo de auto-análise, cheguei ao ponto que sabia quais eram os meus limites pessoais. Poderia passar então à fase de criar um orçamento. E uma vez mais tens duas escolhas: ou utilizar uma estratégia “Top-Down” ou então segues a “Bottom-up”. Esta última passa por ir fazendo um levantamento de todos os custos da viagem e no final chegar à conclusão de quanto custará. Comecei o meu orçamento desta forma, e rapidamente cheguei à conclusão que não ia a lado nenhum. Esta estratégia implica teres conhecimento de tudo o que vais fazer. Ora, num universo de possibilidades, isso é uma tarefa infinita. A opção tornou-se clara. Teria que definir o meu máximo para gastar na viagem e a partir daí efectuar o planeamento. E numa mistura de auto-análise pessoal, de capacidade financeira e de vontade real de ir, cheguei a este valor.
Não é só a viagem que é algo único. A forma de orçamentares a mesma também o é. A questão não passa pelo “será que tenho dinheiro para isto?” mas sim pelo “será que quero mesmo ir dar uma volta ao mundo?”. Se responderes que sim à ultima pergunta, a primeira fica resolvida. E esta foi uma das primeiras lições que aprendi. A vontade de fazeres algo depende só de ti.
“Quanto é o orçamento para uma volta ao mundo?” A minha resposta é simples. Entre 1 a 1.000.000,00 Euros. Tudo depende da tua vontade.
sábado, 31 de março de 2012
No-Mad World Tour - Post 1: O Mundo é redondo
sábado, março 31, 2012
What's up?
Saturday, April 30, 2011
Tudo tem um início. E numa viagem isso ainda é mais importante. “Escolher o ponto de partida é o arranque da viagem que me levará aos quatros cantos do mundo...” pensei eu até perceber que esta afirmação há muito que perdeu o seu sentido. Desde Copérnico (com confirmação posterior de Galileu) que o mundo é redondo outra vez. E em pleno secúlo XXI a “redondez” do nosso mundo parece óbvia!
E na realidade é. O que me surpreendeu foi o impacto de tal facto. Um mundo redondo não tem início, nem fim. E para quem quer começar uma viagem dá jeito ter um princípio. Assim a minha primeira tarefa (ou dito de outra forma, o desenrolar deste novelo) foi encontrar algo que me fizesse escolher um ponto inicial.
Quando comecei a procurar uma partida, tudo era opção. Qualquer lugar era válido. E logo ali aprendi a minha primeira lição: és totalmente livre para escolher. Quase em simultâneo tinha quatro partidas dispares: Tokyo, Nova Deli, Sydney e Rio de Janeiro. Todas elas com os seus motivos para serem uma escolha válida.
E andei assim durante algum tempo. Saltitando de partida em partida, sem encontrar algo que prendesse a minha escolha. Ainda meio perdido, um pensamento captou a minha atenção. Uma volta ao mundo foge à lógica dita normal. Eu não deveria ser racional mas sim encontrar a minha lógica, se queria escolher um lugar.
E enquanto iniciava esta mudança de raciocinar, uma nova partida entrou no meu leque de opções. O seu nome Istambul. No início era apenas uma possibilidade ténue. Mas foi ganhando força consoante o meu novo raciocinio ia ganhando forma... E passado muitas saudáveis dores de cabeça foi mesmo a minha escolha final.
Existem tantos pontos de partida como existem pessoas com vontade de partir. E não poderia existir melhor lugar para arrancar. Istambul é mítica, transformista e muito bela. Passagem entre o ocidente e o oriente, rica em história e cultura. Serão as suas sete colinas que me levarão a outros destinos...
E na realidade é. O que me surpreendeu foi o impacto de tal facto. Um mundo redondo não tem início, nem fim. E para quem quer começar uma viagem dá jeito ter um princípio. Assim a minha primeira tarefa (ou dito de outra forma, o desenrolar deste novelo) foi encontrar algo que me fizesse escolher um ponto inicial.
Quando comecei a procurar uma partida, tudo era opção. Qualquer lugar era válido. E logo ali aprendi a minha primeira lição: és totalmente livre para escolher. Quase em simultâneo tinha quatro partidas dispares: Tokyo, Nova Deli, Sydney e Rio de Janeiro. Todas elas com os seus motivos para serem uma escolha válida.
E andei assim durante algum tempo. Saltitando de partida em partida, sem encontrar algo que prendesse a minha escolha. Ainda meio perdido, um pensamento captou a minha atenção. Uma volta ao mundo foge à lógica dita normal. Eu não deveria ser racional mas sim encontrar a minha lógica, se queria escolher um lugar.
E enquanto iniciava esta mudança de raciocinar, uma nova partida entrou no meu leque de opções. O seu nome Istambul. No início era apenas uma possibilidade ténue. Mas foi ganhando força consoante o meu novo raciocinio ia ganhando forma... E passado muitas saudáveis dores de cabeça foi mesmo a minha escolha final.
Existem tantos pontos de partida como existem pessoas com vontade de partir. E não poderia existir melhor lugar para arrancar. Istambul é mítica, transformista e muito bela. Passagem entre o ocidente e o oriente, rica em história e cultura. Serão as suas sete colinas que me levarão a outros destinos...
terça-feira, 27 de março de 2012
No-Mad World Tour
terça-feira, março 27, 2012
What's up?
Quantas vezes já tiveste vontade de deixar tudo para trás, pegar na mochila e dar a volta ao mundo?
Foi exatamente o que fez o nosso amigo Stran!
Através de notícias semanais acompanha aqui a sua viagem, que começou a ser planeada em Abril de 2011.
Conhece, através dos seus olhos, países como a Índia e o Nepal, entre outros.
Prepara-te para uma aventura fantástica!
Foi exatamente o que fez o nosso amigo Stran!
Através de notícias semanais acompanha aqui a sua viagem, que começou a ser planeada em Abril de 2011.
Conhece, através dos seus olhos, países como a Índia e o Nepal, entre outros.
Prepara-te para uma aventura fantástica!

